Todos conhecem a banda RPM. Seja por que você é velho o suficiente para ter vivido os anos 80, ou por que uma ex-namorada sua sem muito cérebro de uns dez anos atrás amava o Big Brother Brasil, ou por que sua irmã mais velha ficava molh... era louca pelo o Paulo Ricardo (ou até mesmo por que você era louc@ por ele). Pode ter sido por que você era fã de Engenheiros do Hawaii (aka Humberto Gessinger e mais 3 ou 4 músicos contratados) e gostou da versão de Rádio Pirata deles e descobriu que o Paulo Ricardo um dia compôs Rock, na época que fazia parte de uma banda de Rock nos anos 80, antes de cantar brega nos anos 90 (apesar de algumas pessoas dizerem que aquilo era MPB - a discussão sobre MPB fica para outro post).
Pois bem o fato é que o RPM é o artista musical brasileiro mais bem sucedido da história. Isso mesmo, esqueça o Rei, não estou falando do Pelé (não dá mim cantar - mim não dá, mim não conjuga verbo - realmente, Pelé, você canta errado), mas sim do rei "global", Roberto Carlos.
- Como assim? - Você deve perguntar.
Bem o segundo disco do RPM, intitulado "Rádio Pirata ao Vivo", era o disco mais vendido da história do Brasil. Digo era por que o quarto disco de Leandro e Leonardo de 1990, o precioso e brilhante "Leandro & Leonardo, Vol. 4" (Ah! a criatividade dos nomes de disco), é o disco mais vendido da história fonográfica brasileira.
1 - Padre Marcelo Rossi não é cantor, então não é artista musical (e não quero entrar no assunto a respeito dos motivos "nobres" de seus álbuns) - é dele o disco brasileiro mais vendido.
2 - Como a Xuxa não é cantora (até as crianças que fizeram seus pais comprarem o disco "Xou da Xuxa 3" em 1988, a gritos e choro muito provavelmente, hoje, mesmo não sendo grandes experts em música, reconhecem a faltam de afinação da loura), portanto não é artista musical.
Assim posto, sobra apenas a grande dupla sertaneja a frente do RPM. Sem entrar em méritos, e me odeiem se quiserem, sertanejo pode ser música, mas não é algo que eu considere como sendo produzido por artistas. Então, o RPM é o artista brasileiro mais bem sucedido da história. O Rei RC vendeu mais somando todos os disco - mas se eu virar músico e vender 10 discos por ano e tiver uma carreira tão longa quanto o imortal Matusalém RC, também terei vendido mais discos que o RPM.
O primeiro disco do RPM, "Revoluções Por Minuto" (já comentei sobre a criatividade dos nomes de discos? - sigh) fez tanto sucesso, que a produtora do RPM contratou ninguém menos que o Ney Matogrosso pra produzir o show da banda. Isso mesmo, a produtora contratou o Ney Matogrosso pra produzir uma banda de certa forma "novata". O fato era que o RPM só tinha um disco. Não dá pra fazer um show apenas com músicas de um único disco que somavam 36 minutos e 40 e tantos segundos. Então ele recomendou que a banda fizesse uns covers, novas músicas pra encher linguiça. Foi assim que o RPM introduziu a música "London, London" no seu repertório. OK. Durante a turnê, a banda passa por alguma cidade do Rio Grande do Sul, alguém grava o show, e dias depois rádios estão tocando uma versão não oficial (pirata e irônico) de Paulo Ricardo cantando uma música de Caetano acompanhado por Luiz Schiavon nos teclados. E isso começa a fazer muito sucesso, afinal, o Paulo Ricardo já era meio que sexy symbol e o RPM estava estourando.
A gravadora que não era boba, decide lançar outro disco o quanto antes, com a versão do RPM de "London, London", para aproveitar a onda da gravação pirata e ganhar dinheiro (no disco pode-se ouvir as fãs gritando loucamente ao reconhecerem a introdução de uma música que nunca tinha sido lançada oficialmente e possui a introdução completamente diferente da original). Qual foi o problema? O RPM não tinha muitas novas músicas e a gravadora não queria dar tempo ao azar. Foi assim que uma banda com apenas um disco de estúdio, lançou um disco ao vivo. Foi assim que surgiu o fenômeno chamado "Rádio Pirata ao Vivo", que se tornou o disco mais vendido da indústria fonográfica brasileira até então e chegou a 2,7 milhões de discos vendido em pouco tempo. A tiragem inicial do disco foi de Meio Milhão. Isso não existia no Rock nacional até então. As bandas de Rock nacional eram consideradas muito bem sucedidas quando atingiam 100 mil cópias, 250 mil cópias. Esse disco teve 500 mil cópias vendidas, só de saída.
Muito bem, houve a época, preços congelados, o plano cruzado do Sarney. Os entendidos dizem que isso ajudou o disco a chegar a tais números. Mas o fato é que o disco é bom. Merecia realmente ser bastante vendido. Mas foi muito sucesso, os ânimos, egos e vaidades começaram a ser mais importantes do que fazer música e em pouco tempo a banda acabou (e já voltou e acabou e voltou e acabou).
Agora você tem todo o direito de perguntar:
- Por que isso merece estar no T.D.?
Bem, assista a este vídeo, por favor. Assista inteiro.
Que galhofa foi essa? Isso merece um highlight list. Uma banda que já chegou a ser assunto exclusivo do Globo Reporter (com todos os seus integrantes vivos!). Não sei o que é pior, o bigode da temporada de moda de mal gosto do ano passado do Paulo PA Pigni (baterista da banda), ou o tapa-olho do Paulo Ricardo. Ou seria figurino da banda, ou o botox do Paulo Ricardo? Talvez os efeitos especiais, ou o peito de pombo do Paulo Ricardo? Essa música ser de um álbum de uns dois anos atrás (de mais uma das voltas) e ser lançada como "single" esse ano, ou o próximo single possuir o nome profético de "Me Aconselhei a Esperar". Sério, single ainda existe depois que a década de 90 acabou?
Há quem diga que esse clipe possui um conceito... Isso pode ser conceito em música e isso pode ser considerado conceito em vídeos musicais. E por favor, não me diga que o Rock no Brasil não sabe o que é conceito.
Um comentário:
eu tinha o disco ao vivo haha, foi dado por um primo. Agora faz sentido pq no disco eles cantavam uma musica do Ney... e a versão deles eu gostei mais (flores astrais). Realmente era um disco muito bom. Mas que porra de video clipe é esse? fizeram com dez reais? paulo ricardo loiro e belchior na bateria?
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